O setor de varejo alimentício vive um momento de profunda transformação, exigindo que os empreendedores se reinventem para driblar a pressão no fluxo de caixa, o aumento no preço dos insumos, a inflação e a escassez de mão de obra. Foi exatamente essa capacidade de adaptação que colocou a rede paulista Nosso Açaí sob os holofotes da mídia de negócios nacional. Após sua recente participação no reality Choque de Gestão, da revista Exame, a marca é o grande destaque prático da nova edição da Pequenas Empresas & Grandes Negócios (PEGN) — que está nas bancas desde segunda-feira, 11 de maio.

A reportagem da PEGN aborda um dos principais vilões do fluxo de caixa: o estoque sem giro. Em vez de recorrer a novos empréstimos para lidar com a alta dos custos, especialistas orientam que as empresas olhem para dentro e reavaliem seu mix de produtos. A publicação lista quatro passos fundamentais para essa avaliação: analisar o que vende mais através de softwares, medir a rentabilidade real (pois nem sempre o campeão de vendas dá lucro), manter produtos que fortalecem a identidade da marca e, por fim, cortar artigos que geram ruído e afastam o consumidor.
Foi aplicando exatamente essa cartilha que o Nosso Açaí, fundado em 2014 pelo casal Sérgio (53) e Ana Paula Bezerra (50), conseguiu reverter perdas e voltar a crescer, chamando a atenção da revista.
O “Cardápio Encolhido” que gerou lucro
Para proteger a margem de lucro e o fluxo de caixa, os fundadores decidiram otimizar o cardápio da rede, que hoje conta com 11 pontos de venda. A versão de produtos à la carte foi reduzida de 22 para 15 itens. Além disso, das mais de 40 opções de frozens e sorvetes premium disponíveis, foram mantidas somente as 20 mais pedidas pelo público.
O foco nos produtos de alto giro eliminou o desperdício, melhorou o fluxo de caixa e gerou uma queda imediata de cerca de 14% no Custo da Mercadoria Vendida (CMV). “A retirada dos itens de alto custo e baixo volume de vendas gerou maior rentabilidade, reduziu desperdícios de insumos e dinheiro parado em estoques e tornou a operação mais simples”, relatou a sócia Ana Paula Bezerra à reportagem da PEGN.
Inovação e automação e ganho de produtividade na operação
Outro gargalo resolvido pela rede foi a alta rotatividade de funcionários no setor. Para agilizar o processo e reduzir custos, a marca adotou o modelo “híbrido” (mesclando self-service e à la carte) e investiu na instalação de totens interativos de autoatendimento nas unidades com maior movimento, com um custo de locação mensal acessível de R$ 1 mil por equipamento.
A medida não apenas diminuiu os erros na preparação dos pedidos, como reduziu em 25% o custo com mão de obra, permitindo que a loja operasse, em determinados horários, com apenas um funcionário em vez de dois. A agilidade também impactou diretamente a experiência do consumidor: “Atualmente, 90% dos pedidos são feitos pelo autoatendimento e o tempo de espera para retirar o produto ficou 45% menor”, revelou Sérgio Bezerra à revista.
Essas otimizações permitiram que a rede processasse, de forma rentável, números superlativos em 2024: foram 43 toneladas de açaí produzidas, 23 mil litros de sorvetes premium consumidos e mais de 202 mil produtos vendidos ao público.
A oportunidade de ouro para parceiros empreendedores
Com os processos perfeitamente validados e os holofotes da PEGN e da Exame atestando a solidez e a inteligência da operação, o Nosso Açaí direciona agora seu foco para a expansão de franquias, especialmente na Região Metropolitana de Campinas (RMC).
Para os potenciais investidores, o modelo se apresenta como um dos mais atrativos do food service. O investimento inicial é relativamente baixo e parte de R$ 50 mil, com formatos flexíveis que se adaptam ao capital do empreendedor, indo desde lojas completas e quiosques até contêineres e postos de conveniência de autoatendimento. O payback (retorno sobre o investimento) tem uma média estimada de 18 a 24 meses.
Outro grande diferencial competitivo que atrai novos parceiros é a filosofia “pró-franqueado” da marca. Durante o atual plano de expansão, a rede isenta a cobrança de taxa de franquia inicial. “Orientamos que o parceiro guarde esse valor para o seu capital de giro. Preferimos que ele inicie o negócio de forma saudável e bem estruturada, pois nosso verdadeiro foco é o crescimento conjunto: marca e franqueado.“, explica o fundador.
Mais sobre o Nosso Açaí
Fundado em 2014, o Nosso Açaí é um case de sucesso no varejo alimentício focado em açaí de altíssima pureza, sorvetes premium e experiência de consumo. O negócio une a visão comercial de Sérgio Bezerra com a de Ana Paula Bezerra em eficiência e padronização operacional. A rede possui 11 unidades consolidadas pelo interior e ABC paulista, um centro de distribuição próprio estruturado para a expansão e forte posicionamento no delivery.
